quarta-feira, 30 de setembro de 2009

30 de setembro: Dia da Secretária!

Já tentei iniciar este texto várias vezes, mas não estou inspirada a escrever hj...
Queria falar sobre a função da secretária, de suas agendas e telefonemas, da necessidade de sua discrição, de seu sigilo... mas desisto!
De qualquer forma, parabéns a todas as secretárias (inclusive às "Secretárias do Lar"), que cumprem bem a sua função!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A "sorte" influencia nossa vida???

Já faz um tempinho que queria escrever sobre esse assunto. E o texto da minha prima Érica reforçou a ideia (ela falou sobre Escolhas no seu blog).
Sempre converso com o Fábio sobre isso, e somos bem diferentes em nossas opiniões. Ele não concorda com a ideia de que a sorte influencia nossas vidas. Eu, ao contrário, acho que influencia, e muito!
Posso citar vários exemplos.

Você inicia seus estudos para o próximo concurso, mas às vésperas da prova não consegue estudar determinado tema por falta de tempo. No dia da prova, você se dá super bem, porque as questões foram todas baseadas no que você conseguiu estudar! Que sorte!

Você ficaria em 16º lugar no concurso, mas consegue ocupar a 10ª vaga (última) porque aqueles 6 (classificados em 10º e 15º), que estudaram mais que você, passaram em outro concurso também e optaram pelo outro cargo. A vaga é sua! Que sorte!

O jogador de "No Limite" escolhe um caminho no labirinto e quando está quase no fim, opta por ir à direita e vê que não há saída; o jogador que estava logo atrás dele opta por ir à esquerda e se dá bem... Isso não é sorte? Sorte de um, azar de outro!

A menina bonita está passeando pelas ruas de sua cidade e é assediada por um "caça-talentos", que a transforma numa super modelo... e se ela não tivesse saído de casa? E as outras meninas, tão lindas como ela, que não foram "achadas", nem nunca o serão?

É claro que não podemos contar apenas com ela! Mas acredito piamente que a sorte influencia muita coisa em nossas vidas!
O que faz nossas escolhas darem certo ou errado?
É claro que Deus nos deu o livre-arbítrio, e isso é o que nos dá a chance de acertarmos ou não. Mas o que faz dar errado? Será que Deus nos dá o arbítrio e nos castiga quando escolhemos a opção errada? Ou será que somos nós mesmos que "fazemos dar errado"?

Quando fazemos a escolha errada utilizamos nosso livre arbítrio, certo? Se não estudei suficientemente para o concurso, sei que não passarei... Se não trabalhei o suficiente, sei que não ganharei... Se não cuidei de minha saúde, sei que ficarei doente... até aí, tudo bem. Mas e se mesmo assim der certo? (Passei sem ter estudado tanto; me dei bem sem trabalhar muito; estou bem de saúde mesmo não me cuidando). Foi sorte? Foi "Deus quem quis assim"? Esse é meu dilema.

Mas de uma coisa eu tenho certeza: há três coisas que são fundamentais pra você ter sucesso na vida.

A primeira delas é ter bons relacionamentos. Você não faz idéia do quanto um amigo pode te ajudar. E quanto mais variados os seus amigos, melhor! E para ter bons relacionamentos você precisa ser bacana também, viu? Não dá pra ter bons amigos sendo uma pessoa carrancuda, que não cumprimenta os outros e não cede em nada... Cuidado com o seu mau-humor! Ele pode te atrapalhar lá na frente... Amizades são fundamentais!

A segunda coisa é ter coragem. Sem coragem de mudar, meu amigo, você não vai sair do lugar! Ficar na zona de segurança é algo perigoso... não reclame depois, ao ver seus companheiros de estrada em situação melhor que a sua! Ás vezes é preciso arriscar!

A terceira coisa é se dedicar, seja lá ao que for! Sem dedicação, o negócio não dá certo, o exercício não dá resultado, o estudo não é suficiente, a amizade não prospera! Mas sem exageros! Senão você se torna aquela pessoa de um assunto só (só fala em negócios, só fala em estudos, só fala em exercícios) e isso vai prejudicar os relacionamentos (que, lembre-se, são fundamentais).

Essas três coisas vão te ajudar muito! E se a sorte ajudar, o resultado será ainda melhor!

Beijão pra você que acompanha o blog!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

As mulheres são o que seus homens permitem...


Já deu pra perceber que hoje o tema é polêmico, não? rsrsrs

Aliás, essa sempre foi a proposta deste blog... discutir ideias! (E se forem polêmicas, melhor!)


Tenho pensado muito nisso: "as mulheres são o que seus homens permitem"! E essa ideia surgiu de várias observações e muita reflexão.


Uma vez ouvi de uma amiga a seguinte frase: "Homem tem que ser tratado no cabresto; pra marido não se abaixa a cabeça". Ela disse isso num tom de "façam como eu faço", e eu imediatamente parti pra análise do companheiro dela: um sujeito boa praça, calmo, raramente nervoso.


E dessa análise passei a outras, sempre procurando casais onde as mulheres "mandam". E cheguei à conclusão que os maridos /companheiros delas têm algo em comum: são sempre "boa praça"!


Acredito que uma coisa ninguém vá negar: é sempre o homem que decide quase tudo! São eles que decidem onde o casal vai morar, pra onde irão viajar, quais os amigos que frequentarão a casa... (até mesmo porque, se for diferente, eles são bem menos tolerantes do que as mulheres).


E aí vem uma frase da Danuza (de novo!): Para que um casamento dê certo, os casais têm que ter vontade de tudo ao mesmo tempo. De comer, de ir à praia, de ver o mesmo filme, de transar etc. Como isso não é normal acontecer, alguém tem sempre que ceder - e geralmente é sempre o mesmo. E aí eu acrescento: geralmente é a mulher que cede!


Digo "geralmente" porque você pode estar pensando: "Imagine! Aqui em casa é diferente... sou eu quem decide". Então, minha filha, seu marido é um "boa praça". Na verdade, o mérito não é seu, mas do seu companheiro...


Outro caso: Carmencita não trabalha, não cozinha e todo mundo acha que seu marido sofre com isso! Sofre nada! Ele é que permite esse tipo de coisa! Ela simplesmente aproveita a oportunidade! Aí ouço o seguinte: "Ela nem sabe cozinhar!" E eu respondo: "Se ele realmente desse valor pra isso, nem teria casado com ela... ou faria com que ela aprendesse!"


E as mulheres "que mandam" na relação estarão pensando: "Imagine...eu com um marido que mande em mim... nem morta!" Pois é exatamente o que eu penso! Como diz uma amiga minha, "Canário não casa com urubu!". As mulheres que mandam casam-se com homens "bonachões", mulheres comuns casam-se com homens comuns... e são eles que mandam!


Carmencita não trabalha? Seu companheiro é que quis assim!

Ela não cozinha? Se ele ligasse pra isso, não estaria com ela!

Carmencita vive dando bronca em Juan e ele não revida? Não tenha piedade... ou você já viu homem "de sangue quente" deixar barato uma provocação?


Tenho um bom exemplo dentro de minha casa. Nossas refeições são super simples (arroz, feijão, uma carne, uma hortaliça), muitas vezes repetidas, quase sempre aquecidas no microondas, de forma super prática. Nossa louça suja se resume a dois pratos, dois garfos, duas facas, um copo, e potes plásticos (onde a comida foi aquecida). Posso me dar a esse luxo porque meu companheiro "permite"... Se ele fosse um marido tradicional, eu estaria todos os dias no fogão, preparando comidas diferentes e frescas, sujando panelas e mais panelas...


Se tivesse me casado com um homem tradicional, provavelmente já teria uns 2 filhos... mas o meu companheiro me permitiu parar para pensar, e hoje sou feliz com a decisão que tive!


Se tivesse me casado com um homem tradicional, faria as tarefas domésticas sozinha...mas tenho um ótimo ajudante em casa.


Se tivesse me casado com um homem tradicional, não viajaria com meu pai sem ele...


Assim, só posso reafirmar o título desse texto: AS MULHERES SÃO O QUE SEUS MARIDOS PERMITEM! E isso pode ser uma coisa boa ou ruim... por isso é tão importante escolher um bom companheiro!


E aí, vc concorda???

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Férias!!!!!!!


As férias existem para que possamos "dar um tempo" na correria diária...


É tempo de descansar, de viajar, de passear na casa da mãe, de aproveitar melhor o tempo, de cuidar melhor dos filhos, de arrumar gavetas...


Nada como ser dona das horas!!!!


Sempre que digo que estou de férias, ouço: "Férias? De novo??" hahahaha E me divirto com isso!

Tirar 2 períodos de 15 dias, no ano, dá nisso...


Aliás, outro dia conversei com uma amiga e ela me questionou: "Nós ENTRAMOS em férias" ou "SAÍMOS de férias"???? rsrsrs


Alguém tem um palpite?




Beijão pra todo mundo que lê essas bobagens

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

CURTAS... e finas!


hahahahaha

O título é um plágio à penúltima postagem no Blog da Bianca ("Curta e grossa")... rsrsrs


São pequenas dicas de etiqueta que "pesquei" do livro "Na Sala com Danuza 2".

Divirtam-se!



(SOBRE JANTARES - E OUTRAS RECEPÇÕES)


1. Pessoas são convidadas não para serem alimentadas, mas para contribuírem de alguma maneira com o sucesso da reunião. Com seu charme, sua beleza, sua inteligência, sua capacidade de serem divertidas. Faça sua parte com brilho.

2. Qual a lembrança que fica de um jantar? O serviço perfeito? As louças valiosas? A prataria preciosa? O requinte dos pratos? Esse conjunto é realmente sedutor. Mas ao lado de todas essas maravilhas é preciso que haja aquela mágica, que não depende da dona da casa nem dos convidados. Quando acontece, o jantar se torna aquele acontecimento do qual você nunca vai esquecer.

3. Não misture família em suas festas (com amigos). Embora adorando nossos parentes, os amigos não têm culpa disso.

4. Jamais comece a convidar com a frase: "O que você vai fazer na quinta-feira?" Essa pergunta é uma cilada, pois só comporta dois tipos de resposta. Ou "Tenho um jantar ou "Nada", o que é um grande risco. Já pensou se te convidam pra um baile funk, pra ser jurado do Concurso de Miss Verão ou pra um campeonato de tranca?

5. Se você algum dia deu um jantar, então sabe o que é a solidão da manhã seguinte, quando está louca pra comentar a noite, saber o que as pessoas acharam, se tudo funcionou bem etc., e ninguém telefona. Pense nisso e, sendo a anfitriã sua amiga íntima, ligue - ela vai adorar.



(SOBRE EMPRÉSTIMOS)


6. Não é a qualquer pessoa que se pode pedir alguma coisa emprestada. Há pessoas que não gostam, e essas pessoas geralmente nunca pedem nada.

7. Antes de emprestar, avise que você empresta numa boa, mas tem o péssimo hábito de querer de volta.



(SOBRE PESSOAS E ENCONTROS)


8. Tratar uma pessoa mais velha por "você" é uma coisa que, contrariando todas as regras, costuma alegrar muito o coração de um idoso.

9. Quando você chega a uma casa, bar ou restaurante e encontra um grupo já instalado, não é preciso estender a mão ou beijar cada um. Dê um alô geral e tudo bem.

10. Se sua babá te convidou para ser madrinha de casamento, nada de ir simplesinha, com medo de chocar. Vá superelegante, foi pra isso que ela te chamou. E não se esqueça de mandar de presente o mais caro dos eletrodomésticos. Foi pra isso também que ela te convidou.



(SOBRE VIAGENS)


11. Pintou uma viagem. Você fica louco pra ir, claro, mas imediatamente entram as dúvidas, as inseguranças, as culpas. "O dólar está muito caro". "E se eu perder o emprego?" "Vou deixar meu marido, meus filhos?" "Logo agora que as ações estão em alta?" "Logo agora que as ações estão em baixa?" TUDO BOBAGEM. Vá, vá e vá. Vai voltar novo, revigorado, mais bonito, mais feliz, enriquecido; esqueça a obrigação de sofrer (que todos nós temos), não pense, vá e depois me conte.

12. Nunca pergunte aos amigos se desejam alguma coisa, tipo encomenda. Alguém pode querer ("É facílimo de encontrar", eles dizem) e olha a encrenca que você arranjou. Quando isso acontecer, diga francamente que não vai ter tempo, que a viagem é muito rápida etc. Ou faça como Guilherme Guimarães, que diz: "Claro, meu amor", põe a listinha e os dólares na gaveta e esquece. Quando volta, devolve e fala, com a cara mais cândida, que não encontrou. Está bem, sou uma peste, mas convenhamos que encomenda é dose - ou não?

13. Mas, se você não resistiu e pediu a um amigo que te comprasse alguma coisa, quando for entregar o dinheiro - encomenda sem dinheiro, nem pensar - dependendo da situação financeira e da intimidade entre os dois, dê uns dólares a mais e diga que, no dia de fazer a tal compra, ele é seu convidado para almoçar. Que ele pense em você, te erga um brinde e depois te conte tudo.

14. Duas pessoas se adoram, vão viajar juntas e não dá certo. Acontece. uma adora comer, a outra não liga e quer emagrecer. Uma adora compras, a outra detesta vitrines. Uma acorda já querendo ir pra rua, a outra precisa de um tempo. Em viagem, as pessoas ficam muito tempo juntas, pra não dizer o tempo inteiro. Até casais casadérrimos passam a ter uma convivência muito maior do que na cidade onde moram, e o que não é problema em circunstâncias normais vira uma complicação quando se viaja. Olha, é bom pesar tudo isso antes de embarcar.

15. A não ser que você tenha menos de 20 anos e que esta seja sua primeira viagem, evite reuniões para mostrar as fotos, contar os filmes que viu, as peças de teatro etc. Afinal, a quem interessa uma viagem, a não ser a quem a fez? (acréscimo da Cibele - [pessoas que viram as 2000 fotos da nossa última viagem: DESCULPEM-ME!!! rsrsrs)]


(CONSELHOS)


16. Em briga de casal, ouça, se não puder evitar, e procure ser o mais neutro possível. Nem pensar em dizer: "Bom, já que as coisas estão nesse pé, vou te contar..." etc. Quando eles reatam, sobra pra você. E tem mais: Nunca seja confidente dos dois lados.

17. Nunca chegue em casa de ninguém sem avisar, a não ser que você tenha se sentido mal exatamente na porta da casa do seu amigo. Assim mesmo, interfone.


E aí? Você tem alguma dica pra dar? Comente aí!


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Tudo a ver com a postagem anterior... rsrsrsr

Essa música é dos anos 80/90. Fala de um garoto que não tinha como ser rebelde, devido ao excesso de zelo dos pais...


Rebelde sem causa
Ultraje A Rigor

Meus dois pais me tratam muito bem
("O que é que você tem que não fala com ninguém?")
Meus dois pais me dão muito carinho
("Então porque você se sente sempre tão sozinho?")
Meus dois pais me compreendem totalmente
("Como é que cê se sente, desabafa aqui com a gente!")
Meus dois pais me dão apoio moral
("Não dá pra ser legal, só pode ficar mal!")

MAMA MAMA MAMA MAMA
(PAPA PAPA PAPA PAPA)

Minha mãe até me deu essa guitarra
Ela acha bom que o filho caia na farra
E o meu carro foi meu pai que me deu
"Filho homem tem que ter um carro seu"
Fazem questão que eu só ande produzido
Se orgulham de ver o filhinho tão bonito
Me dão dinheiro prá eu gastar com a mulherada
Eu realmente não preciso mais de nada

Meus pais não querem
Que eu fique legal
Meus pais não querem
Que eu seja um cara normal
Não vai dar, assim não vai dar
Como é que eu vou crescer
sem ter com quem me revoltar
Não vai dar, assim não vai dar
Pra eu amadurecer sem ter com quem me rebelar...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

PAIS QUE AMAM DEMAIS


Tenho observado muito o comportamento de pais e filhos e fico perplexa com algumas coisas que vejo...


Podem falar o que quiser, dizer que "pessoas sem filhos são chatas, não entendem nada de amor maternal/paternal etc", mas o fato é que quem está de fora observa muito melhor... Aliás, a frase "o amor é cego" não foi inventada por mim, e se encaixa perfeitamente no assunto.


O fato é que os pais, na ânsia de fazerem certo, fazem muita coisa errada! E "ai" de quem os alertar disso! É discussão na certa!


E então querem tudo perfeito: excesso de higiene, excesso de atividades extracurriculares, excesso de presentes fora de hora, excesso de brinquedos, festas todos os anos (e com tema escolhido pelo aniversariante), excesso de zelo. E com toda essas tarefas, os pais não tem tempo para impor limites, apresentar tarefas domésticas, ensinar boas maneiras etc. E é por isso que nos impressionamos tanto quando vemos alguma criança dizer "Obrigado", "Por favor"... coisas que deveriam ser "normais" nos parecem coisas de outro mundo!


E aí vi uma reportagem da revista Época muito bacana, que transcrevo aqui, de forma um pouco resumida:


Pais que amam demais atrapalham filhos
Na ânsia de preparar os filhos para o futuro, muitos pais extrapolam no carinho e nas atividades educativas. Que tipo de filho eles criam? (Martha Mendonça)

Todos os pais querem que seus filhos sejam bem-sucedidos. E a receita é clara: como na infância nosso cérebro é mais propenso ao aprendizado, basta desenvolvê-lo ao máximo, desde o mais cedo possível. Infelizmente, ninguém consegue prever o futuro – e portanto não há como saber quais habilidades serão mais importantes quando nossos pequenos tesouros virarem adultos. O que faz um bom pai, nesse caso? Claro! Aposta no máximo de atividades. Escola bilíngue, curso de uma terceira língua, iniciação musical, aulas de etiqueta, ginástica, natação... No tempo livre, por que não aproveitar para divertir as crianças com um bom DVD educativo?


Mas esse investimento todo não vai valer nada se não soubermos proteger e amparar as crianças de todos os perigos desta vida. Então é preciso aceitar o sacrifício de levá-las e trazê-las de carro de todos os compromissos e manter a constante possibilidade de contato pelo celular – esse moderno e abençoado cordão umbilical tecnológico.


Só há um pequeno porém com essa receita. Na verdade, dois. O primeiro é que segui-la sai um pouco caro, tanto em dinheiro como em preocupações. O segundo é que... essa fórmula pode dar errado. Bem errado.


Depois de umas boas décadas em que grande parte dos psicólogos, educadores, cientistas e empresários estimulava o esforço pelo desenvolvimento planejado das crianças, estamos vendo agora um novo fenômeno: o combate ao excesso de zelo dos pais. Uma recente reportagem da revista americana New Yorker define o fenômeno como "overparenting". Trata-se dos hiperpais, pais superprovedores – ou simplesmente pais demais. Eles são o avesso dos pais negligentes. Protegem demais, são indulgentes demais e sentem uma ânsia que os leva a resolver todos os problemas das crianças. Alguns desses espécimes atendem pelo apelido de "pais-helicóptero", porque estão sempre, de alguma maneira, “sobrevoando” os filhos, impedindo que encontrem suas próprias saídas e tenham seus momentos de solidão e brincadeira. Esses momentos são imprescindíveis para que as crianças aprendam a pensar por si próprias – e se tornem adultos independentes e conscientes. O novo discurso é que nada substitui a brincadeira como atividade para desenvolver a inteligência e as habilidades sociais, e a melhor maneira de um adolescente aprender algo é pelo método de tentativa e erro.


Até no campo da medicina esse discurso vem ganhando força. Um dos comportamentos mais comuns dos hiperpais é o cuidado extremo com a higiene. E quem poderia condenar isso? Os médicos. Peter Liquornik, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, é um exemplo. “Muitos bebês ficam com seu amadurecimento imunológico comprometido pela mania de limpeza e esterilização dos pais. A natureza faz a criança engatinhar e colocar tudo na boca porque é assim que ela vai criar suas defesas”, diz. Segundo Liquornik, existe hoje uma superproteção das crianças, que muitas vezes ficam impedidas de brincar, de se sujar, em nome de uma higiene exacerbada. Ninguém precisa entregar bolas de sujeira para os filhos lamberem, mas, se eles não tiverem algum contato com as imperfeições do mundo, não criarão anticorpos suficientes.


“Se não há dificuldades na vida das crianças, elas não vão desenvolver muitas habilidades”, diz a americana Hara Marano, editora da revista Psychology Today e autora do livro A nation of wimps: the high cost of invasive parenting (Uma nação de fracos: o alto custo da paternidade invasiva), lançado em 2008. “É como amarrar os sapatos: na primeira, na segunda ou na terceira vez eles não conseguem. Em vez de amarrar para eles, deixe que andem com os cadarços soltos de vez em quando. Vão começar a tentar sozinhos até aprender.” Marano acredita que os valores ocidentais de competitividade tenham gerado essa “hiperpaternidade” no mundo contemporâneo. “Os pais foram tomados por uma enorme ansiedade, focada na vida dos filhos. Querem resolver o futuro deles agora, querem ser eficientes. Mas eficiência é um valor da profissão, não da criação de um filho.”


O foco intenso na criança é o cume de um processo que começou por volta do século XV. Até a Idade Média, a infância não era valorizada. A partir do desmame (aos 3 ou 4 anos, naquela época), ela passava a viver no mundo adulto. Não havia escolas formais e a própria família não era nuclear. Conviviam na mesma casa pessoas de várias procedências. Com o início da Idade Moderna, a revolução liberal e, mais tarde, o Iluminismo e a formação da burguesia, o cuidado com a criança e os laços familiares se fortaleceram. Pais e filhos ficaram mais próximos, e a criança passou a ser vista como um indivíduo em formação, que precisa de atenção e tratamento especial.


Até aí, tudo bem. Mas hoje parece que não há apenas uma infância, e sim várias. O mercado de quartos infantis mostra isso. Há uma proposta de ambiente para cada idade. “O quarto cresce com a criança”, diz a arquiteta paranaense Kethlen Durski. “Há berços diferentes, camas que vão aumentando de tamanho, cores propícias para cada momento e até uma iluminação apropriada para cada fase.” Há quem coloque tapete de borracha pela casa para que a criança não se machuque ao engatinhar ou mesmo retire a maioria dos móveis da sala de estar (outra prova de excesso de zelo: a criança deve aprender a cair, diz a nova teoria).


A supervalorização do aprendizado na infância começou nos anos 80, quando pesquisas científicas comprovaram a plasticidade do cérebro do bebê e da criança pequena. “Aí surgiram as ideias de estimulação precoce que hoje levam a um exagero”, diz a psicanalista carioca Silvia Zornig.


“O bom pai é aquele que tem a coragem de entregar seu filho para o mundo. Quem não faz isso está subestimando a criança e atrapalhando seu futuro e sua felicidade. A mensagem que está sendo enviada para a criança é: você não é bom nem inteligente o bastante para ser bem-sucedido, seja lá no que for”.

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