
Hoje é o dia dedicado ao Funcionário Público.

MAIS UM TEMA POLÊMICO: O ABORTO!
Como os seguidores do meu Blog já sabem, gosto de trazer à tona temas polêmicos... Não para provocar, nem para magoar... mas para conversarmos, para esmiuçarmos o tema, para ver como cada um defende a sua opinião.
E como o assunto do momento é o aborto...
Muito se tem discutido sobre o assunto, mas o que mais me incomoda é ver as pessoas falando asneiras, pessoas ditas “religiosas”, “cristãs” dizendo “Não vote em fulana... ela é a favor do aborto”. E outros, contestando: “Vamos votar em branco ou nulo, porque a mulher do candidato sicrano já abortou também”. E eu penso: “Epa! Espere aí! O que a fulana ou fulano REALMENTE dizem sobre o assunto? Eles dizem que apóiam a legalização do aborto, pura e simplesmente? Ou em determinados casos?
E aí os “cristãos” dizem “Não interessa; aborto é crime e pronto!”, “Interromper uma vida é sempre condenável!” Ah, tá...
O que as pessoas confundem demais é que “permissão” não significa “obrigação”. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.
Se o cigarro é permitido, não significa que todos vão fumar...
Com a permissão de porte de armas, ninguém saiu por aí comprando armas pra ter em casa, saiu?
(Aliás, mesmo com a proibição, aqueles que querem fumar vão fazê-lo de qualquer jeito; e aqueles que se utilizam de armas para cometer crimes vão tê-las de qualquer jeito, com permissão ou não!)
Com o caso do aborto é a mesma coisa. Primeiramente precisamos analisar o que diz a lei. Hoje em dia, aborto é crime, mas há duas exceções: quando a gravidez causa risco de morte para a mãe e quando a gravidez foi resultado de estupro (ato sexual violento). Até aí todo mundo concorda? Ou os religiosos vão dizer que não pode também? (Tudo bem... se quiserem manter a gravidez, é um direito seu... ninguém vai te prender por isso!) Mas existe a PERMISSÃO, nestes casos. Você aborta, se quiser. E com respaldo da lei.
Mas o que vem sendo alvo de críticas é que a candidata a presidente disse que “aborto é tema de saúde pública”.
Não tive tempo de analisar exatamente o que ela disse, se ela explicou isso... sei lá ! (quando penso num tema, tenho que escrever rápido, pra não perder a adrenalina... rsrsrs)
Mas penso que o que ela quis dizer é que o aborto deveria ser reanalisado e que EM CASOS DE SAÚDE PÚBLICA (por exemplo: feto anencefálico), o aborto poderia ser realizado, sem que isso fosse crime.
E aí as pessoas condenam porque não acham certo, porque é um feto, é um ser vivo (respira, tem movimentos).
Segundo estatística realizada em 2008, a cada 3 horas nasce uma criança anencéfala no Brasil (isso eu pesquisei), ou seja: 8 bebês por dia. A anencefalia ocorre por volta do 24º dia de gestação. A gestante nem sabe ainda que está grávida. Quando ela descobre, não há mais o que se fazer.
Aproximadamente 75% dos fetos anencéfalos morrem no útero. Mas alguns têm sobrevida vegetativa que cessa, na maioria dos casos, em 24h ou nas primeiras semanas.
Em geral o diagnóstico é feito durante a ecografia, momento em que as mulheres buscam saber o sexo da criança. Quando constatado, o que ocorre é uma lenta e desesperada busca por tribunais para evitar que o feto alcance 500g ou 20 semanas de gestação e precise ser enterrado. “É uma experiência de tortura” – dizem as mulheres que já passaram por isso.
Imagine ter dentro de si um feto que na maioria das vezes foi planejado, querido, amado, e descobrir, após alguns meses, que ele não sobreviverá (há casos raríssimos em que os bebês chegaram a completar um ano, mas com vida totalmente vegetativa).
Imagine a tortura de saber que tem o bebê, ver sua barriga crescendo, mas não poder comprar uma peça de enxoval, porque a criança não vai se desenvolver!
O médico José Aristodemo Pinotti chegou a dizer que a interrupção da gravidez em caso de anencefalia sequer poderia ser classificada como aborto, porque o feto anencefálico não tem potencialidade de vida.
Então, voltando a legalização ou não, ninguém está dizendo aqui que o aborto deve ser legalizado em qualquer situação, mas apenas em casos como este, onde praticamente não se pode falar em vida...
E o fato de ser legalizado não significa que ninguém será obrigado a abortar... Cada um sabe o que é melhor pra si.
A legalização, nestes casos específicos, propicia às mulheres que estão sofrendo um alívio que tem que ser buscado atualmente nos Tribunais (e que muitas vezes é negado). Com a legalização, estas mulheres poderiam realizar a cirurgia com amparo da lei; poderiam exercer esta opção, que hoje lhes é negada! Sem contar nas pessoas de renda social mais baixa, que já realizam seus abortos (em qualquer situação, e não só nos casos de anencefalia) em verdadeiros “açougues”.
Ou seja, sendo legalizado ou não, o aborto continuará sendo praticado... A diferença é que com a lei eles seriam praticados por pessoas capazes, em clínicas autorizadas, sem perigo para a vida da mãe.
O mesmo poderíamos dizer da legalização das drogas... O fato de se legalizar o uso já evitaria o tráfico, pois não haveria motivo pra traficar se as pessoas pudessem comprar essas tranqueiras na padaria (como fazem atualmente com o cigarro). E nem por isso nós, que não somos usuários, iríamos comprar... Mas isso é tema pra um outro dia!
E você, caro seguidor deste blog: o que pensa deste assunto?
Abraço a todos!
"Dependendo das circunstâncias, as pessoas são capazes de quebrar seus mais arraigados códigos éticos e praticar atos que passaram a vida condenando e que continuam condenando, se praticados por outro.
A qualquer momento, qualquer um pode virar ladrão, traidor, assassino, herói e até santo.
Vai depender apenas do momento – e das circunstâncias.”
(Danuza Leão)

Na semana passada tive a oportunidade de ir pra Rio Claro no sistema “bate-e-volta”, de ônibus, e confesso que achei muito legal... Afinal, se você quer assunto pra comentar no seu Blog ou com seus amigos durante a semana, não pode deixar de passar algumas horas dentro de um coletivo! Rsrsrs
E resolvi escrever sobre uma coisa que me chamou a atenção, tanto na ida como na volta.
Lá em Rio Claro, na segunda-feira, por volta de 20h30min, uma senhora entrou no ônibus com um rapaz que parecia seu filho e disse, em alto e bom tom: “Ai, graças a Deus!”. E, olhando para o rapaz que estava com ela: “Você viu? Foi eu começar a pedir pra Deus e o ônibus apareceu! Com o frio que eu tava, só Deus mesmo!”
...
E no dia seguinte, por volta de 19h, dentro de um coletivo, já em São Caetano, ouvi o seguinte diálogo entre um rapaz e uma moça:
- Você sabia que Sicrana está grávida, né ?
- Não!
-É; vai “ganhar” no mês que vem, já !
- Mas é daquele cara?
-Não, é outro! Xiii, coitada! Tá o maior problema, viu? O cara insiste em dizer que o filho não é dele! Um safado! Eu disse pra ela: se fosse comigo, nem sei o que faria com um cara desse viu? Onde já se viu? Ela não fez sozinha... Na hora bem que ele gostou né?
- É... (imaginando se fosse com ele)
- Mas eu disse pra ela: “Olha, Deus sabe o que faz! Se DEUS QUIS ASSIM, é porque quer mostrar alguma coisa pra ela! Porque Deus não faz nada sem um propósito!”
E eu ouvindo aquilo tudo, tendo que ficar quieta! Humpf!
(Quem me conhece bem, deve imaginar... rsrsrs)
E fiquei morrendo de vontade de dizer: “Ah, claro... o propósito de Deus deve ter sido fazer ela entender que devia ser mais responsável, e que da próxima vez deve usar preservativo...”.
E fiquei o resto do tempo pensando em como criamos coisas na nossa cabeça! Como arranjamos desculpas para nossos erros!
Quando acontece algo de bom, “Graças a Deus!” – é quase uma frase automática, é quase como dizer “Bom dia” quando acordamos entre pessoas que nos são queridas.
Quando acontece algo de errado, dizemos “Deus quis assim”...
É uma forma de nos consolarmos, ou de não admitir que fizemos algo errado e que a culpa é só nossa mesmo! É mais fácil colocarmos a responsabilidade daquela “caca” em alguém que não vai reclamar... É ou não é?
E pensei também naquela primeira mulher... Foi só ela pedir pra Deus e o ônibus veio! Que bom, não? Rsrsrsrs
Ah, tá... Mas e quando a gente pede e o ônibus não vêm?
A segunda moça diria: “Deus tem um propósito pra tudo.”
E assim vamos levando. Cada um arranja e desculpa que tem.
E Deus vai assumindo tudo.
E vemos na TV o caso da moça que está grávida de cinco bebês. (Não tem condições de criar nem 2, mas engravidou de 5, sem tratamento.)
E conhecemos muuuitas mulheres que estão desesperadas pra ter pelo menos um... mas não conseguem engravidar!
E vejo amigos agradecendo a Deus pelos bens materiais que conseguiram... E penso: o que faria Deus dar bens para uns em detrimento de outros?
Complexo, não?
Antes que alguém ache que sou totalmente descrente, gostaria de acrescentar que acredito em Deus SIM, mas não nesse Deus que dá tudo para um e nada para outro; não nesse Deus que comanda tudo... Não podemos jogar nas mãos de Deus a irresponsabilidade de nossos atos!
Não gosto dessa resposta simplista de que “Deus quis assim” ou “Tudo tem um propósito”...
Respeito as pessoas que assim pensam, mas não concordo.
É o que tenho pensado.