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segunda-feira, 31 de março de 2014
As mulheres bonitas e o estupro
Quando um sujeito quer roubar uma casa, ele fará de tudo para conseguir seu intento (tenha grade, cachorro, alarme... seja o que for). Mas para aquele "ladrãozinho" preguiçoso, que não quer muito trabalho, uma casa sem cachorro e com portão aberto já é uma grande oportunidade...
Penso o mesmo quanto ao polêmico assunto do estupro. Me perdoem meus amigos defensores das mulheres bonitas. Mas para um sujeito que está "à perigo", uma mulher com microssaia é um sinal verde... basta jogar no chão! Fica fácil demais...
Há cerca de dez anos estava dentro de um ônibus em São Caetano e vi, numa parada de semáforo, no carro ao lado, um sujeito que estava "à perigo" (vou poupá-los dos detalhes... cena horrível de se ver). Alguém aí acha que ele se interessaria por alguém de calça, ou mesmo de shorts? Acho improvável.
Não quero que me entendam mal... Não quero parecer a "gordinha recalcada"... kkkkk Tudo o que é bonito tem de ser mostrado sim; mas certas atitudes tornam a mulher "fácil" demais. Não há mais aquele suspense, aquela dificuldade... tudo está "à mão"... se é que me entendem. Como reclamar depois?
Pelo que li até agora, a defesa das mulheres alega que, se não houvesse ESTUPRADOR não haveria estupro: ou seja, a mulher jamais pode ser responsabilizada por essa violência. Concordo. Porém, desde que o mundo é mundo, sabemos que o desejo sexual existe, que os hormônios masculinos estão sempre "em polvorosa" (por que você acha que existe tanto remédio inibidor em manicômios?) e que a profissão mais antiga do mundo é a de prostituta - uma pessoa especializada em "acalmar os ânimos" dos homens mais necessitados... Ou seja: com hormônio não se brinca. Também não é CULPA do homem esse instinto voraz! É algo que todos têm... uns conseguem refreá-lo... outros, não. E aquele que não consegue refrear esse instinto, vai pegar a primeira presa fácil que aparecer...
E agora?
Resumindo: não é a sua roupa que vai fazer com que seja estuprada. Mas a ocasião faz o ladrão. Esquecer o portão aberto não fará com que você necessariamente seja assaltada; mas se o ladrãozinho passar por lá, preferirá a sua casa do que a do vizinho... pela facilidade.
quarta-feira, 12 de março de 2014
O problema do Brasil é o povo que vive nele
E as pessoas que escrevem ou compartilham essas coisas são moradores daqui. Nem posso dizer que são brasileiros, porque eles mesmos dizem "os brasileiros são sem-educação", "os brasileiros são idiotas", "Brasil: um país de tolos"... e por aí vai. Ou seja: "os brasileiros são; eu estou fora dessa lista".
E na verdade é isso mesmo. O povo que vive aqui, como já escrevi em outra oportunidade, "se acha" estrangeiro. Dizem com a boca cheia "sou descendente de alemão", "sou descendente de italiano", "minha família é da região da Bavária" etc. Então, eles estão aqui de passagem. E acham o cúmulo ter que conviver com esse povo burro, mal-educado, sem-vergonha...
Quando leio essas coisas, me dá uma vontade enorme de dizer pro sujeito: "Volta pra tua terra, companheiro! Se lá é tão bom..."
Hoje mesmo assisti a um vídeo de uma tal de Julia Jolie (ou algo parecido) onde ela relata, de forma exaltada, que morou um tempo nos Estados Unidos e lá as pessoas são educadas, dizem "I´m Sorry" a todo momento, cumprimentam os outros... e que aqui, "os brasileiros" são muito mal-educados, não pedem desculpa nunca, não saem da frente quando se pede licença, não cumprimentam... enfim, uma lástima! (Detalhe importante: ela mora no Rio de Janeiro.)
E ainda tem aquele vídeo famosíssimo da Carla Dauden, a cineasta que vive em Los Angeles há cinco anos (onde fez faculdade de cinema), só foi ao Rio de Janeiro uma vez, nunca entrou numa favela e há 1 ano e meio não vem ao Brasil por motivos de estudo e burocracias de visto. Ela caprichou na produção de um vídeo (em língua inglesa) que fala mal do Brasil e sugere ao mundo que NÃO VENHA À COPA!
O fato é que não dá pra generalizar. Há gente boa no Brasil, na Alemanha, na Austrália, na Itália, no Japão... e há muita gente ruim nesses lugares também.
Dizer que criticar resolve o problema é muita cara-de-pau!
Quando seu filho começa a dar trabalho pra estudar, pra trabalhar... você conversa, aconselha, luta pra dar certo, ou desce o cacete sem dó? Você tenta resolver com ele ou já sai gritando pelo mundo que seu filho não tem jeito? (ahhhh... mas aí tem o amor incondicional...)
Então, "estrangeiros"... vamos tomar jeito! Há duas opções: tentar resolver os problemas ou arrumar as malas e cair fora! Sem cuspir no prato em que comeu, OK?
Até!
segunda-feira, 10 de março de 2014
Fé - toda certeza que dispensa provas
Coisa que sempre me intrigou foi a fé. A característica mais marcante de quem tem fé é a aceitação do resultado, seja ele qual for. A pessoa pede: se o resultado foi alcançado, graças e Deus; se não foi, graças também - pois Ele sabe o que faz.
Sendo assim, para os mais céticos, fica a questão: por que pedimos então? Se o resultado será dado pelo Criador, por que tentamos interferir?
A experiência nos mostra que, pedindo ou não... ajoelhando ou não... o resultado será o que Deus quiser! Ás vezes corresponde ao nosso pedido; outras vezes, não.
Num dos textos do CD "Filtro Solar", ouvi uma definição de fé que me marcou: "FÉ é toda certeza que dispensa provas." E não é isso mesmo? Quem tem fé não duvida, não questiona, não hesita. Confia e pronto! Não é necessário que se prove nada. Aceita-se.
Não nego que a fé é importante. Para alguns, aliás, ela é extremamente necessária. É o que os mantêm esperançosos.
Para outros, certos acontecimentos os deixam mais céticos ainda. Ou seja: pra cada um, um resultado.
Achei muito bonito um trecho de um livro sobre o Budismo que fala um pouco disso:
"Como sou monge budista, considero o budismo o mais conveniente. Para mim, concluí que o budismo é o melhor. Mas isso não significa que o budismo é o melhor para todo mundo. Isso está claro. E é categórico. Se eu acreditasse que o budismo era o melhor para todos, seria uma tolice, porque pessoas diferentes têm disposições mentais diferentes. Portanto, a variedade das pessoas exige uma variedade de religiões. O objetivo da religião é beneficiar as pessoas. E eu creio que, se tivéssemos apenas uma religião, depois de algum tempo ela deixaria de beneficiar muita gente.Se tivéssemos um restaurante, por exemplo, e nele só fosse servido um prato - dia após dia, em todas as refeições - não lhe restariam muitos fregueses depois de algum tempo. As pessoas precisam e gostam da variedade na comida porque existem muitos paladares diferentes. Do mesmo modo, as religiões destinam-se a nutrir o espírito humano." (A arte da felicidade - Dalai Lama e Howard C. Cutler)
E mais à frente:
"... se acreditarmos em qualquer religião, isso é bom. Porém, mesmo sem uma crença religiosa, ainda podemos nos arranjar. Em alguns casos, podemos nos sair ainda melhor. Mas esse é nosso próprio direito individual. Se quisermos acreditar, ótimo! Se não quisermos, tudo bem. É que existe um outro nível de espiritualidade. É o que chamo de espiritualidade básica- qualidades humanas fundamentais de bondade, benevolência, compaixão, interesse pelo outro. Quer sejamos crentes, quer não sejamos, esse tipo de espiritualidade é essencial."
No resumo de tudo, a velha frase, já desgastada: "O importante é ser feliz!"
Você é feliz com sua fé? É isso o que mais importa.
Boa semana pra todos.
quarta-feira, 5 de março de 2014
PAÍS SEM POVO (um desabafo)
Algumas vezes fui mal interpretada, em outras criei inimizades. Mas não posso negar que Facebook é um interessante meio de pesquisa. Se quiser saber como é uma pessoa, dê uma passadinha no Facebook dela. É lá que se vê o que realmente a pessoa pensa.
E uma das coisas que sempre gostei foi de defender o Brasil. O MEU país. Mas já tô de saco cheio.
Ultimamente enxergo o Brasil como um enorme prédio. E fora dele, enxergo milhares de pessoas unidas com um único fim: destruir esse prédio! E lá estão elas: umas pichando, outras jogando pedras, outras tacando fogo e outras, mais ávidas, com marretas, picaretas... quebrando com vontade mesmo!
Imagino que vai chegar uma hora que o prédio vai cair - não há como suportar. É muita gente empenhada. Só que o prédio vai cair por cima dos próprios demolidores.
Não há o que fazer. Por mais que se tente defender, sempre terá alguém por perto pra te lembrar que os políticos não prestam, que o povo é sem educação, que a educação e a saúde pública vão de mal a pior...
Nunca vi um povo tão empenhado em falar mal do próprio país. Não conheço outro povo que faça vídeos falando mal do próprio país no ano em que sediará a Copa do Mundo.
Vejo estes vídeos e fico enojada. Não consigo ver até o final. É muito pra minha cabeça... Não consigo entender o que faz essa criatura viver aqui.
Outro dia li uma frase atribuída a Lima Barreto (escritor brasileiro que viveu de 1.881 a 1.922): "O Brasil não tem povo, tem público."
E acho que é isso mesmo. Nem sei em que contexto Lima Barreto disse isso, nem sei se foi ele mesmo que disse (também já cansei de pesquisar essas coisas, pois percebi que ninguém liga pra isso mesmo). Seja lá quem foi que disse, acho que tem toda a razão.
O que falta nesse país é identidade. Falta quem se apegue, quem queira defender, quem goste! Por que aqui todo mundo é estrangeiro: um é descendente de alemão, outro é de italiano, outro é de português, e por aí vai. Mas ninguém quer ser brasileiro. Inclusive em época de Copa do Mundo, tá cheio de gente nascida aqui que vai torcer contra o Brasil no caso do time do seu "país de origem" ser o rival. Todo esse amor porque o seu TATARAVÔ NASCEU LÁ! Dá pra acreditar?
O fato é que a gente nunca quer falar mal de quem a gente gosta não é mesmo? Pode ser a maior verdade do mundo... mas a gente não fala.
Quer alguns exemplos? Nunca vi ninguém dizer "Meu pai é um vagabundo"; "Minha mãe não sabe educar ninguém"; "Minha irmã é uma bêbada"; "meu tio é um idiota; "meu filho é um aproveitador"; "minha filha não vale o pão que come" - MESMO QUE SEJA VERDADE! Aliás, já vi sim: quando a pessoa detesta outra, fala até o que não deve.
E assim é com o Brasil. Sai uma matéria lá na França, alertando os turistas quanto ao risco de assalto nas grandes cidades do Brasil: "brasileiro" dá até uma incrementada - inclui problemas com enchentes, com corrupção - e posta no Facebook juntamente com uma frase assim: "O pior é que é verdade!"...
E os amigos compartilham, compartilham!!! Se puderem, incluem mais alguns problemas! Sempre se desculpando: "mas é verdade!".
Pessoas que aqui vivem (chamados de brasileiros) A-DO-RAM falar mal do Brasil! Afinal, não é o seu país... é um país que acolheu seus ascendentes, apenas isso. É o país que paga seu salário. E assim que puderem, dizem, vão "cair fora dessa encrenca, ah se vão"!
Se eu tivesse filhos, acho que continuaria empenhada na defesa do Brasil. Gostaria de tentar fazer do Brasil um país melhor. Mas não vou deixar descendentes diretos. Meu tempo por aqui não será tão longo (com sorte mais uns 50 anos... quem sabe?) Então... vou me estressar pra quê?
Da próxima vez que estiver por perto de alguém que goste de detonar o Brasil, resta-me ficar calada. Cansei. Boa sorte pra quem ficar até a demolição total!
quarta-feira, 10 de julho de 2013
AMIZADES
E com tantos assuntos em mente (um deles era sobre ser mãe ou não, postado logo abaixo), resolvi dar destaque para as amizades.
Como diz a velha canção, "Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito" e isso significa que, assim como o coração, não podemos viver sem eles.
Ter um amigo significa ter em quem confiar, ter alguém pra contar nossas alegrias (e também nossos fracassos), mas, essencialmente, ter alguém pra poder falar verdades!
Se não posso falar tudo o que penso, se não posso dar meu palpite, se não posso contar uma coisa na certeza de que estarei em segurança não tenho um amigo, mas um colega.
Colega é aquele companheirão pras horas boas, aquele com quem você ri e se diverte. Colega é aquele que trabalha com você, aquele que te dá a maior força numa dificuldade... mas não dá pra contar tudo pro colega!
Amigo é como irmão... Melhor que irmão! (porque pro amigo você pode até reclamar do irmão... rsrsrs).
Como dizem por aí, "Amigos são a família que a gente escolhe".
E como farão falta no futuro, caso você não cultive essa relação tão gostosa...
Assim, não deixe de cultivar suas amizades. E tenha uma rede extensa: os que conheceu no trabalho, os que conseguiu na faculdade, os que têm o mesmo ritmo de vida, os que são ótimos companheiros de viagem, os que são parceiros de esportes... assim nunca ficará só!
Se quero viajar, ligo pra Sicrano. Se quero uma tarde musical, já penso em Fulano. Se tô querendo praticar esportes, é pra Beltrano que vou ligar. E por aí vai. E a vida fica muito mais leve...
Quem tem amigos, tem um tesouro! E nesse quesito, sou milionária!
Beijos pra todos os meus amigos!
Mãe - Ser ou não ser
Mãe: ser ou não ser
Certas mulheres dariam a vida para poder ver um filme na sessão da tarde, no lugar de cuidar dos filhos |
UM ASSUNTO que não passa de moda: os menores de rua que assaltam, cometem atrocidades, matam. E vêm os especialistas dar palpites: que eles não tiveram um lar, uma família em que o pai chegasse do trabalho e pacientemente perguntasse como foram as aulas e ainda brincasse um pouco com o filho -ou os filhos- antes do jantar. Na cabeça desses teóricos, as panelas estariam fumegando em cima do fogão, e a mãe, cheia de alegria, poria o jantar na mesa, tendo o cuidado de desligar a televisão enquanto comessem, para que a família pudesse conversar, trocar ideias.
Só que as coisas não costumam ser bem assim, a não ser em filmes americanos. Esse pai pode estar chegando do seu segundo emprego, depois de 45 minutos em pé num ônibus, exausto, e só querendo uma coisa na vida: tomar um chuveiro e se espichar na cama em paz, sem ter que trocar uma só palavra com ninguém, muito menos com uma criança, mesmo que seja seu filho. Quanto à mãe, mesmo que não trabalhe, teve que passar o dia inteiro passando roupa e tomando conta de uma ou duas crianças, o que não é fácil.
Criança solicita o tempo todo, corre riscos o tempo todo -de cair da janela, de derrubar a panela com água fervendo, de escorregar no chão e se machucar, e chora por qualquer coisa, até por nada. Certas mulheres dariam a vida para ver um filme na sessão da tarde, no lugar de cuidar dos filhos, e é bom que se saiba que isso não é crime nenhum.
Vamos falar a verdade: existem mulheres com uma grande vocação para a maternidade, e outras sem nenhuma. Algumas, que já são mães de dois -porque eles costumam vir um logo depois do outro-, talvez estejam sonhando com um vestido que viu numa vitrine, talvez preferissem estar numa faculdade, ou trabalhando, ganhando seu dinheiro e perseguindo sua própria vocação.
Mas não podem pensar em um vestido novo porque não têm dinheiro, em estudar, porque não têm com quem deixar as crianças, e muito menos em trabalhar. O instinto maternal existe em todas as mulheres, mas a vocação para a maternidade é outra coisa, que nem todas têm.
Hoje em dia isso é admitido, e já existem muitas mulheres que escolheram não ter filhos e assumem isso com a maior naturalidade. Há cem anos isso seria inadmissível, mas hoje é normal; apenas uma questão de escolha.
O difícil é descobrir essa falta de vocação cedo; as que se casam aos 20 anos nem pensam nisso, mas as mulheres que estão se casando mais tarde querem ter uma carreira, aproveitar a vida, e antes dos 30, 35, não têm a menor vontade de fundar um lar.
E mesmo com todas as pílulas, diafragmas e camisinhas, as crianças continuam nascendo, talvez porque ninguém pare para pensar se realmente quer ter um filho -com todas as alegrias e problemas que ele traz.
Esse é um assunto para ser muito pensado, para que as crianças não cresçam entre pessoas que prefeririam estar dançando numa discoteca -o que é direito de qualquer um- a estar acordando de noite para trocar uma fralda ou botar um termômetro.
É bom pensar antes, e muito, para que haja mais possibilidades de que todos sejam felizes -a mãe, o pai e os filhos.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Fazendo de conta que ajudo os outros
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Centenas de possibilidades a um clique: alimentar crianças na África ou deixar as baleias de Abrolhos namorar em paz, ajudar mulheres com câncer de mama ou lutar contra a corrupção. Muito se diz sobre o poder da internet para mobilizar, engajar e agrupar pessoas em prol de uma causa. Só neste ano, com o apoio e a pressão das redes sociais, vimos nações se livrar de ditaduras na Primavera Árabe, pessoas condenar ações de grandes empresas e políticos assumir suas faltas. Tudo disponível on-line para quem quiser apoiar, ler, comentar e compartilhar, sem sair de casa. Mas será que a rede de computadores é mesmo capaz de transformar a realidade? Curiosa para descobrir até onde vai uma ação que começa no mundo virtual, aceitei o desafio de acompanhar, curtir e participar de movimentos por algumas causas que surgiram em minha tela. Por três semanas, eu virei uma ativista digital.
Pelo Facebook, a rede social que compartilha informações entre amigos, eu sempre fico sabendo de ações como marchas e festas em torno de alguma causa. Se ninguém me convida, vejo uma hora ou outra que um amigo confirmou presença. O mais difícil é filtrar tanta informação, escolher as causas que realmente têm a ver com o que acredito – e não as mais populares. Pesquisando sobre isso, eu descobri que muita gente cai no slacktivism (o ativismo de mentirinha), que não tem impacto nenhum na sociedade, mas faz com que o sujeito aparentemente se sinta bem. É uma forma de aliviar a consciência e mostrar aos outros que você faz algo. Ciente desse perigo, comecei os trabalhos.
Apoie essa causa
Ao entrar na vida de ativista, eu descobri que estava agindo para transformar a realidade toda vez que compartilho um texto, uma ideia ou as informações que considero relevantes. Mas, para ir mais longe, fui pondo meu nome em nove abaixo-assinados que achei interessantes, como um que pedia o veto da presidente Dilma ao novo código florestal, outro que faria com que o Saci Pererê tivesse uma data nacional em sua homenagem e na lista que exige que a polícia dinamarquesa não condene quatro integrantes do Greenpeace presos em uma manifestação pacífica.
Soube que algumas plataformas de sites de abaixo-assinados não fazem restrições à criação de listas. Há uma quantidade incontável de petições online produzidas diariamente, sem nenhuma moderação. A meta de assinaturas também muda constantemente – pode ser de 100, 100 mil ou 1 milhão. Além de isso parecer não ter fim, é muito fácil assinar nomes falsos ou multiplicar sua contribuição alterando um sobrenome ou alguma letra. Nenhum documento legal é necessário para provar a identidade – basta o e-mail, às vezes o número do CEP ou do telefone.
Minha maior dúvida era saber se esses documentos têm alguma utilidade prática. Foi aí que descobri que abaixo-assinados são apenas manifestações da opinião pública. A quem, de fato, se destinam, é apenas outra maneira de chamar atenção. No gabinete da Presidência da República, por exemplo, não faz muita diferença um documento chegar com só dez ou 250 mil assinaturas, porque fatalmente ele será engolido pela burocracia federal. Em geral, o autor das petições on-line não sabe quão popular será sua causa nem o que fará com as assinaturas. Assinei a causa que defende a ideia de que os professores da rede pública tenham o mesmo índice de reajuste salarial que os parlamentares, mas, quando fui atrás do organizador e dos políticos envolvidos, percebi que ninguém tinha noção de que a marca de mais de 166 mil assinaturas já havia sido atingida.
Ainda assim, algumas petições on-line têm destino mais prático. As assinaturas recolhidas contra o fechamento do Cine Belas Artes, em São Paulo, tornaram-se um dos documentos mais importantes para o processo de tombamento do local como um patrimônio imaterial. E a Lei Ficha Limpa, uma ideia que virou projeto de lei de iniciativa popular, só surgiu por causa de 1,6 milhão de assinaturas físicas e mais de 2 milhões de virtuais – para que o abaixo-assinado tenha essa força, é necessário que 1% do eleitorado assine fisicamente uma petição, com firma reconhecida em cartório eleitoral. O que senti é que parece haver certo descompasso entre se mostrar disposto à mudança e estar pronto para levá-la a cabo. Das causas às quais assinei meu nome, não consegui resposta positiva sobre o destino de nenhuma delas. Muitas estão abertas até agora, e é possível que sigam assim ainda por muito tempo.
Ajude com seu clique
Além das listas, usei o mouse em sites que revertem cliques em doações de coisas palpáveis para organizações não governamentais, como comida e mamografias. São sites como o clickarvore.com.br, da ONG S.O.S. Mata Atlântica, que se propõe a reflorestar várias regiões do Brasil, sem cobrar nada do internauta (veja mais no quadro abaixo). Na maioria das vezes, os sites não exigem dados pessoais, e parecem uma forma fácil de ajudar – mas, como descobri, não funcionam como um passe de mágica.
As empresas que bancam as doações fazem isso em troca de mais visibilidade na rede – cada vez que alguém clica para ajudar é obrigado a ver a marca. Ou seja, é uma maneira diferente de fazer permuta em troca de publicidade, mas com o intuito de resolver alguns problemas pontuais. O que pode funcionar. É assim que o Instituto Neo Mama, de Santos, no litoral de São Paulo, oferece em média 45 mamografias gratuitas por mês a mulheres carentes.
Empolgada, cliquei várias vezes no link. Porém, soube depois que não faz diferença se naquele mês o instituto recebeu só os meus ou 250 cliques: os patrocinadores disponibilizam um número fixo de mamografias por mês. Claro que a nossa participação facilita que as parcerias sejam firmadas, mas não é a quantidade de cliques que faz a quantidade real de doações.
Você curtiu isso
Minha última frente como ativista digital foram os movimentos voluntários. São as marchas ou protestos que, divulgados na internet, angariam adeptos que vão para a rua mostrar sua opinião. Acompanhei algumas dessas ações e percebi que as pessoas estão acostumadas a curtir e a dizer sim para tudo, mesmo que estejam a quilômetros do lugar onde vai acontecer a manifestação. Nas três marchas a que fui na Avenida Paulista, em São Paulo, o número de pessoas que confirmaram comigo a presença via Facebook não tinha nada a ver com a quantidade que apareceu lá em carne e osso.
Na primeira manifestação, em um sábado chuvoso, esperava cerca de 400 pessoas em defesa da floresta Amazônica. Encontrei quase o dobro. No domingo, no protesto por um Estado laico, 19 mil manifestantes disseram que estariam lá, mas eu só vi uns 30. Na marcha pela educação, cerca de 700 pessoas confirmaram a participação, mas havia pouco mais de 100 militantes nas ruas. Em outras cidades, eu percebi pelos comentários que isso também é comum.
Um exemplo é o caso Tonho Crocco, nome do músico e deputado estadual gaúcho que compôs um rap com o nome dos 36 parlamentares que aprovaram o aumento de 73% em seus salários. A música rendeu mais de 180 mil visualizações na web, e o cantor foi processado por ferir a honra dos deputados. Por semanas, os ativistas se movimentaram na rede e conseguiram arquivar o processo contra o compositor. Então, no dia em que aconteceria a audiência, uma manifestação foi agendada em Porto Alegre e, pelo Facebook, 15 mil pessoas confirmaram presença. O que se lê na página é a frustração de quem apareceu achando que encontraria uma festa e viu pouca coisa.
Conecte-se e compartilhe
Nas minhas semanas de ativista, eu percebi que a internet cumpre bem seu papel de difundir ideias sem filtros nem hierarquias. Conversando com Massimo di Felice, especialista em teoria da opinião pública da Universidade de São Paulo, soube que estamos presenciando uma nova forma de construção coletiva em que tudo e todos estão mais inteligentes e informados. A rede é a arma dos fracos, de quem nunca teve voz. Nela, todos têm o mesmo poder comunicativo e a informação não é retida por um expert. Isso não têm antecedentes na história. Para ele, a internet inaugura um novo nível de democracia, que deixa de ser opinativa e passa a ser colaborativa.
É verdade que a rede tem esse poder magnífico de encurtar distâncias e pôr as pessoas em grupos de debate e troca de informação. Gente de todos os níveis culturais e lugares se unem e, rapidamente, sabem o que acontece no mundo. Com isso, podem decidir vestir uma camisa ou propor mudanças. Mas, para que as transformações cheguem à vida real, elas precisam ter a ver com a minha realidade e me dizer alguma coisa. Mudanças locais são o que de melhor a internet pode fazer. A rede permite conexão com outras experiências globais que podem ser adaptadas à nossa realidade. Se tivermos de esperar que uma assinatura ou uma marcha virem uma ação, vai levar mais tempo. O ativismo virtual funciona, dependendo da causa, de quem está envolvido e de quão simples é a proposta de transformação. E, principalmente, de quanto se leva ela a sério, para além de só curtir.”

Click solidário
_Quem pode? Todo internauta.
_Onde? Em lugares como www.cancerdemama.com.br, onde você ajuda mulheres
a combater o câncer. Em www.cliquealimentos.com.br, você dá 1 quilo de alimento
à cidade que escolher, e no encurtador de links virou.gr, você doa comida à Cruz
Vermelha. Ao brincar no endereço www.construindoinfancia.com.br, você doa a uma
ONG que ajuda crianças e famílias carentes. Com o www.clickarvore.com.br, a ajuda
vai para o reflorestamento da mata Atlântica, e no www.cliquesemiarido.org.br, você
manda água para o sertão nordestino.
_Funciona? Parece que sim. Mas há quem diga que isso é mais assistencialismo
que ativismo. Encher a página de cliques quase nunca significa aumentar a quantidade
doada. Normalmente, as metas de doação são fixadas antes dos cliques.
Curtir e eu vou
_Quem pode? Todos que participam de redes sociais como Facebook, Orkut ou Twitter.
Mas prepare-se para pintar a cara, tomar chuva e caminhar na rua.
_Onde? Sua cidade deve ter movimentos estudantis, de trabalhadores e militantes que
promovem manifestações. Procure por temas com os quais você se identifica no Google
e no Facebook, ou siga pessoas relacionadas a essas ideias no Twitter.
_Funciona? Isoladamente, não. Mas, em coro, esses manifestos já conseguiram divulgar
o preconceito da deputada estadual Myrian Rios, eliminar as peles de animais das lojas
Arezzo e movimentar multidões contra os regimes autoritários no Oriente Médio. Espalhar
informações é uma forma de ativismo. O que não dá é para confirmar presença de mentira
em eventos. O número irreal frustra os participantes de verdade.
Abaixo-assinado
_Quem pode? Qualquer um cria
ou assina as opções da internet.
_Onde? Sites como o avaaz.org oferecem muitas causas, que pedem desde o fim
da guerra no Sudão até o impedimento da usina hidrelétrica de Belomonte. No sites
peticaopublica.com.br e abaixoassinado.org, qualquer um pode criar, divulgar e controlar uma
lista. A responsabilidade é de quem propõe o documento.
_Funciona? Às vezes. A mudança do sentido ou nome de uma rua já deu certo, e, em São Paulo,
uma delegacia contra maus tratos a animais foi oficializada por um abaixo-assinado, site e cause
no Facebook. Mas, para que uma ideia vire projeto de lei de iniciativa popular, é preciso que 1%
dos eleitores assine fisicamente uma petição e reconheça firma em cartório eleitoral. Assinar
documentos é fácil, mas, para haver mudanças, é preciso acompanhar todo o processo.
